Quem nunca passou pela ocasião de esperar muito algum jogo ser lançado a ponto de sair lendo vários artigos, ver todas as fotos e vídeos e perceber que muitas pessoas também estão esperando por um grande título, e quando o jogo finalmente é lançado… Ele desaponta!
Exemplos são bem particulares. Alguns dos games que podem se encaixar nesse contexto são realmente ruins, e acabaram desmerecendo completamente a expectativa. Quem lembra de Driv3r sabe o quanto uma seqüência mal feita pode arruinar uma série de sucesso.
Mas por outro lado também existem jogos muito bons, só que o “hype” (vamos falar mais disso a seguir) foi tão grande em torno de seu lançamento, que eles não conseguiram atingir as expectativas e receberam árduas críticas e notas baixas.
Eu nesses últimos dias fiquei pensando muito sobre esse assunto, e achei que daria uma boa pauta para uma matéria. Então procurei algumas das “autoridades” do jornalismo de games do Brasil e perguntei se o “hype” é um fator a ser levado em consideração na hora de analisar e como devemos lidar com isso na análise. Ou não devemos?
O que é o hype?
Antes de poder discutir sobre o tal “hype”, é bom deixar claro o que é essa palavrinha tão usada ultimamente em revistas, sites e etc.
O hype nada mais é que a expectativa em torno de um jogo. Exemplo: quantos artigos você já leu sobre o lançamento de Metal Gear 4? E quantos sobre o novo jogo de Rugby da EA? É claro que não se pode comparar os títulos, mas fica evidente como a diferença de “importância” dada pelas mídias (e próprias prodoras) é completamente diferente, independente dos motivos. Isso é hype: o “bafafá” criado em torno de alguns lançamentos.
Herói ou vilão?
Herói ou vilão? Onde será que podemos encaixar o hype nessa história? Veja só como podemos obter vários pontos de vista completamente diferentes sobre o assunto:
“Esqueça a palavra Hype. Retire ela do seu dicionário. O mais importante é o sentimento ali na hora em que você pega o controle e tudo funciona como deveria. (…). Nunca espere de um produto nada mais do que os seus próprios olhos e bom senso estão vendo.”
e:
“ A expectativa (hype) SEMPRE é relevante – não por ser algo bom, mas por ser um reflexo natural da pessoa que está prestes a escrever um texto analisando a qualidade de algo”
Achou alguma diferença entre essas duas opiniões? Toda não é mesmo?
A primeira frase foi dita por Márcio Vivas, editor chefe do site FinalBoss. E a segunda por Gabriel Morato, editor da PlayTV.
Só nessa comparação já da para perceber o quanto esse assunto pode gerar de polêmica. É difícil encontrar um meio termo na hora de saber se o hype é ou não fundamental na hora de analisar.
Márcio Vivas defende que o jogo deve ser analisado apenas pelo o que ele é, enquanto Gabriel Morato já acha que o hype é reflexo da pessoa que analisa. Quem está certo? Ainda é cedo para tirar uma conclusão.
Usar ou não usar? Eis a questão…
“No caso de uma análise séria, deve-se esquecer os gostos pessoais e ser realista no que está escrevendo ou falando, mostrar a real do jogo. O hype e gosto pessoal não podem interferir nessas horas”, foi o que Ronaldo Testa, editor da Nintendo World (Futuro Comunicações) me disse.
Já Fábio Bracht, colaborador de revistas como EGM Brasil, Nintendo World, SuperDicas PlayStation e dono do blog 16-Bit, acha que tudo que se relaciona àquele jogo em particular deve ser levado em conta, inclusive a expectativa, mas que a ela não precisa necessariamente transparecer no texto e/ou nota do jogo.
Claudio Prandoni, um dos idealizadores do projeto da revista “Continue” e também do blog Hadouken, acredita que omitir que algum jogo atingiu ou não a expectativa, pode deixar a análise pobre.
Olhando por essas óticas, é ainda mais difícil concluir se devemos usar ou não a expectativa que temos de algum jogo na hora de escrever a análise. Será que ficar surpreendido com algum jogo do qual não se esperava muita coisa pode acabar gerando uma análise “mais generosa” do que aquele que se esperava tanto e acabou decepciononando?
Luiz Eduardo Freitas, editor do blog Dezenove e do site Wii Brasil, diz que quando se espera algo muito negativo de um jogo, você passa a prestar e dar mais valor aos pontos positivos, justamente por serem surpreendentes. Acontece a mesma coisa no sentido oposto – se você espera muito, vai prestar mais atenção aos defeitos e bugs.
Como ser justo?
Após ler várias opiniões sobre esse assunto, acredito que você também deve estar se perguntando se realmente é justo ou não colocar no texto o reflexo de suas expectativas. “Como é possível dar um juízo de valor sem deixar a opinião pessoal influenciar? E você estará absolutamente certo ao dizer que isso é impossível.”, disse Gabriel Morato.
Realmente é impossível separar o juízo da emoção. Claudio Prandoni afirma que devemos saber distinguir bem todos os fatores, e não se pode tirar os méritos de um jogo apenas por uma decepção pessoal.
“Eu gosto muito de escrever bem de um jogo que não foi criado expectativa alguma, pois mostra que a empresa não se preocupou em “vender o peixe” antes do game mostrar seu potencial”, foi o que disse Ricardo Farah, editor Assistente e editor de reviews das revistas Nintendo World, SuperDicas PlayStation, EGM Brasil e EGM PC, além de editor da revista Level Up.
Nessa mesma linha de raciocínio, Ronaldo Testa acredita que o hype criado pelas produtoras é favorável apenas para elas mesmas, e citou o exemplo de Red Steel, da Ubisoft: “O hype gerado em cima dele foi muito grande, talvez tão grande quanto a decepção de alguns jogadores que acabaram por esperar uma obra prima, e receberam um jogo mediano.”
Veredicto
Controlar as emoções é algo difícil, e portanto, controlar a vontade de fazer uma crítica maior em um jogo que acabou deixando a desejar se torna tão difícil quanto.
Da mesma maneira, deve-se tomar cuidado quando um jogo nos supreende, pois nem sempre o que é melhor do que pensamos é realmente bom.
Conseguir esse equilíbrio talvez seja o grande diferencial entre uma óima análise e uma análise pobre.
É claro que agora cabe somente a você saber se vale ou não a pena levar as expectativas em conta. Considere tudo isso que foi dito como fontes para uma discussão ainda maior, que começa agora – na sua cabeça.
Special Thanks
Gostaria de agradecer as pessoas que gentilmente me ajudaram fazer essa matéria respondendo as perguntas e discutindo o assunto. Good luck
Boa!
Tá aí uma discussão que vai render, e muito! Parabéns!
Bela pesquisa, Lucas! Eu acho que essa questão está sempre lá, entrelaçada ao subconsciente do autor de qualquer resenha. Logo, acho mais justo com os leitores e com o jogo levar logo a sua expectativa em consideração.
O hype é um termômetro que vale mais para os gamers hardcore do que para os jogadores comuns que não vivem em fóruns de internet. Mas é inegável que pode ter relação direta com o desempenho comercial de um jogo. É só lembrar do jogo Enter the Matrix, que era medíocre e, mesmo assim, vendeu muito bem.
Pergunta idiota: voce faz jornalismo, não?
Se sim, parabéns. Continue assim e ganharás dinheiro
Quanto ao hype, ao meu ver: belíssimo instrumento para dar um boost nas vendas, mas que deveria ser usado apenas pelas produtoras que SABEM o que fazem. Assim não rolam decepções e nem queimações de filmes.
E feliz aniversário
Rodrigo: Sim, estou cursando
E Deus te ouça haha O que eu mais escuto é que jornalista trabalha muito, ganha pouco mas ao menos é feliz. Já estou pegando o espiríto da coisa. Mas um din din a mais nunca faz mal, não é? hehe
abraços
Matéria excelente,a sua vocação de jornalista é cada vez mais visível a cada matéria que leio.Sei que sou suspeita pra falar,mas esta aqui tá muito profissional!
Parabéns tanto pelo dia quanto pela pesquisa!
=*
Iae, Lucas!
Parabéns pela reportagem, rapaz!
Mandou bem em perguntar pra toda essa galera. É bacana ter uma variedade tão grande de opiniões, ainda mais em um assunto espinhoso como esse.
Logo após ler lembrei de um exemplo recente do que o Hype pode gerar como conseqüência.
A Sony criou uma mega expectativa em torno de Lair, da Factor 5 pro PS3. Após o lançamento, o jogo ganhou péssimas críticas.
Conclusão: a Sony manda pra vários veículos de imprensa um guia para reviews (http://www.joystiq.com/2007/09/07/sony-sends-out-lair-reviewers-guide-must-not-laugh/). Ridículo é pouco…
Como bem disse o menino Bracht, essa discussão vai render muito!
Claudio: Nossa, verdade. A Sony fez MUITO hype nesse lair, a gamespot deu 5 acho. Horrível. Não tava sabendo desse lance dos guias. Realmente triste =\
5 no Lair??? nooossaa, eu tava afinzão de joga Lair pra v, agora ja to meio desconfiado.
aa Feliz Aniversário atrasado brother Lucas!!!!!!hehhe
foi mal mas nem tive tempo de mexe no PC direito nesse dia 10!
Muitas felicidades!!!
Abraços!
Com certeza o hype, é de extrema importância (indiscutível), também né a expextativa deixada por previews jogos que você já esperava e achava que seria bom, pode mudar a opnião de pessoas que não teêm um senso de critica própria muito forte, porque as imagens de um preview é cerca 1/3 de todo jogo, lógico, consta lembra que o preview também serve pra confirmar tudo aquilo que o gamer esperava que o jogo tivesse. Mas também, nada melhor do que um preview completo e um senso de crítica apurado (à seu gosto, sempre) para poder fazer uma bela avaliação.
Só uma coisa.
E o ARG como ficou?
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