por Fernando Mucioli
Lá pelos idos de 90, três cantores de ópera um tanto quanto famosos e um tanto quanto talentosos decidiram que seria uma ótima idéia se juntar para fazer um show único, com todos juntos. O negócio deu certo, e mesmo com o tal do Pavarotti morto, não há infeliz que não tenha ouvido falar dos Três Tenores. Aqueles do Amigos para sieeeeeempreeeeeeee.
Até onde eu sei, o máximo que a indústria de games chegou disso foi num certo RPG que tomou o Super Nintendo de assalto há mais de dez anos. Aquele Chrono “Tráiguer” Trigger. Equipe de Final Fantasy de cá, equipe de Dragon Quest pra lá, os penteados estonteantes de Akira Toriyama e um Yasunori Mitsuda que, pra sorte de todos de bons ouvidos, ali despontou para uma carreira brilhante. E meio que acabou por aí, nem me digam que Blue Dragon foi tudo isso.
Em escala menor tivemos Soma Bringer, RPG exclusivo para Nintendo DS que – pelo menos por enquanto – reuniu o mestre musical Mitsuda aos antigos companheiros (e casal) Tetsuya Takahashi e Soraya Saga. Também conhecidos como os criadores da Xeno saga.
Levantei esse assunto agora porque, pela segunda vez em pouquíssimos meses, a tão infame SEGA anunciou que reunirá outro bando de respeito para seu próximo projeto… que também segue as linhas da interpretação. “Estamos fazendo um RPG!”, diz a misteriosa página do jogo, que traz alguns nomes que, no mínimo, deveriam deixar fãs do gênero de cabelo em pé.
A coisa toda já começa mais do que bem na produção: chamaram uma mulher para colocar ordem na casa. Mas não qualquer mulher. Rieko Kodama, senhoras e senhores, a “Primeira Dama dos RPGS”, está de volta. No seu currículo, nada menos que os quatro episódios que importam da série Phantasy Star, Skies of Arcadia, Shadow “fucking” Dancer e os dois primeiros Sonics – nesses últimos atuando como designer de personagens e de fases.
No som, outro pequeno monstro: Yuzo Koshiro. Se você não sabe quem é, por favor se levante agora da cadeira e bata três vezes com a cabeça na parede – você merece. Ele só é o cara que compôs as músicas de Streets of Rage e Shinobi, dentre outras coisinhas. Os destaques menores da equipe ficam para Kazuya Niino, que dirigiu ambos os Etrian Odyssey e os três Trauma Center – e também encabeçará o projeto – e o ilustador “Motor”, que eu nunca vi mais gordo.
Logo que li a respeito, já fiquei com as orelhas em pé. Não por simplesmente porque essa gente marcou história – mas por que marcou história na SEGA, empresa que hoje é, pra falar o mínimo, decadente. Esse RPG misterioso acabou pessoalmente me animando muito mais que o World Destruction (o primeiro projeto que eu mencionei lá em cima), que reúne Doutor Mitsuda e Masato Kato, roteirista de Chrono Trigger.
O que vai sair daí, pode perguntar: eu não sei. Gostaria muito de um Phantasy Star de gente, mas acredito que vindo desses aí, coisa ruim não sai. Certamente vai ser música para os olhos, ouvidos e dedos.
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