Análise: Bioshock

Bioshock é um jogão até debaixo d’águaVocê lembra de System Shock? È, aquele jogo de aventura cheio de elementos de RPG que foi lançado em 1999 para PC e depois teve sua versão de Dreamcast cancelada. Pois bem, não é que a Irrational Games foi lá atrás buscar essa série e a transformou em algo completamente novo?

Nem precisa fazer muito suspense, é claro que estou falando de Bioshock, um dos jogos mais aguardados desse ano, que chegou com versões para PC (claro) e também para Xbox 360.

Eu geralmente gosto de enrolar um pouco antes de começar a escrever sobre um jogo. Não que eu fique “literalmente” enrolando, mas é que eu gosto de fazer alguns comentários, com esse. Acontece após jogar Bioshock há poucas horas atrás, eu tenho tantos detalhes para contar que é melhor começar falar logo dele!

Ps.Droga, enrolei novamente.

Choque Biológico

Bioshock é um jogo de exploração e tiro em primeira pessoa (assim como seu inspirador), e conta uma história misteriosa envolvendo um laboratório genético remanescente da Segunda Guerra Mundial, local onde corpos começam a aparecer por todos os lados. Pensou em Biohazard? Quase isso…

Depois de algum tempo, esse laboratório foi desativado e apenas recentemente voltou à ativa, para pesquisas secretas envolvendo experimentos biotecnológicos. Sinistro né?

Não vou me prender muito ao enredo, porque sempre tem aquele que fala: “Poxa, o cara ta dando spoilers”, então vou me limitar a dizer que o desenvolvimento da trama é algo fantástico, contado por acontecimentos dignos de cinema – coisa de qualidade mesmo.

Só para vocês terem uma noção: logo no começo você sozinho no meio do mar, sobrevivente a um aparente acidente, e então você nada até a terra e entra no laboratório. A cena de “introdução” não é nada amigável e mostra o real clima de tensão e horror do jogo. Está certo, parei por aqui.

Esse aàé o tal laboratório subterrâneo

Anda, assusta e atira!

Bioshock é um jogo como Half Life. Ele também possui inimigos estranhos, parecidos com zumbis ou pessoas possuídas, como Biohazard. Bioshock ainda tem um incrível sistema de “magia” (que vamos entender logo logo), assim como tantos jogos de fantasia.

Olhando por esse lado, você pode imaginar: “Ah, então esse jogo é mais um enlatadinho…” Se você pensou isso, pode parar de ler, e começa de novo sem isso na cabeça.
Bioshock pode parecer algo completamente comum ao ser lido ou até mesmo visto em fotos e vídeos, mas ele é incrivelmente inovador e diferente desses games que acabaram servindo como referência para descrevê-lo.

Vamos falar um pouco de como se joga essa belezinha. Logo no começo o jogo te dá sua primeira arma: uma incrível chave inglesa. Não sentia essa sensação engraçada de matar monstros com ferramentas de mecânico desde o pé de cabra de Half Life, em 1998.

Mas fique tranqüilo, ao contrário de Call of Cthulhu, momentos depois outros tipos de armas já aparecerão, como um revolver e depois metralhadoras, shotguns e etc.

Nem precisa dizer que o sistema de jogabilidade com elas está perfeito, não é mesmo? Assim como em outros ótimos jogos lançados ultimamente (sem exemplos para não fazer injustiça aos esquecidos), a jogabilidade de Bioshock com armas de fogo é o que eu chamo de F3: solta, fácil e funcional.

Não entendeu o porque “F3” se só tem duas palavras com “F”? Pense em outra que possa substituir o “solta” e que não poderia entrar nesse texto, hehe. É exatamente essa sensação que dá ao estar jogando e ver como tudo funciona

Esse revolver é bacana, mas para dar cabo do grandão é preciso mais…

Injeta o liquido e, cabum!

Se não bastasse a perfeita jogabilidade com armas de fogo, Bioshock ainda é premiado com um incrível sistema de alquimia biotecnológica. Não entendeu? É o tal sistema de “magia” do qual tinha me referido anteriormente, chamado de plasmid.

Seu personagem, logo no início, injeta um liquido de cor estranha em seu próprio corpo, e acaba ganhando força para utilizar magias.

Pode parecer apenas um clichê para introduzir algo de fantasia no jogo, mas credite: Isso é incrivelmente ligado ao enredo. Tão ligado, que se torna até natural o uso das técnicas mais absurdas durante a jogatina.

A sua primeira “magia” é uma onde você pode paralisar os inimigos ou até mesmo poder atacar energia elétrica em regiões com água (que não são poucas, partindo do princípio que o laboratório é subterrâneo) e eletrocutar vários inimigos ao mesmo tempo. Isso é divertido, podem ter certeza.

Existem muitas dessas magias durante sua aventura, e você vai encontrá-las sempre em umas máquinas meio sinistras, com imagens de duas garotinhas sorrindo. Nessas máquinas ao você adquirir um novo “poder” bioquímico, uma animação muito bacana mostra a função dele.
Essas animações são completamente engraçadas, e ao mesmo tempo se encaixam com toda a temática de Bioshock. Como eles conseguem fazer isso o tempo todo?!

Mas não tem como falar de magias e não lembrar do poder de telecinésia. Com essa maravilha, seu personagem é apto para fazer qualquer objeto dos cenários (que não são poucos) levitarem e depois serem atirados para qualquer direção, usando simplesmente um botão.
O grande barato disso é poder fazer as bombas que alguns inimigos atiram em você pararem no ar, e depois fazê-las voltar contra eles.

Os plasmid são bem bacanas, esse aàé um dos primeiros.

Zumbis + Mergulhadores = Bichos bem esquisitões

Um bom game precisa também de bons e criativos inimigos. Lembra quando eu disse que os inimigos em Bioshock pareciam zumbis ou possuídos? Esqueça, eu menti. Eles são bem piores que isso.

Imagine você andando em um canto do cenário todo tranqüilo, até que de repente uma “mulher” com roupas ensangüentadas, um pedaço de ferro na mão  e uma máscara de coelho (!!!) pula em cima de você! Pois é, isso não será algo difícil de acontecer.

Algo estranho (muito estranho) ocorreu naquele laboratório, e seres mais estranhos ainda vagam por lá. Além de semi-humanos, você ainda encontra espécie de alquimistas, que ficam jogando bombinhas de São-João em você (lembra da telecinésia? Contra esses alquimistas funciona muito bem) e uns grandalhões com roupas de mergulho da década de 50  com britadeiras em uma das mãos. Esses dão trabalho de se derrubar.

Esses grandalhões começam a aparecer com muita freqüência depois de certa parte de jogo. Eles são guardiões das “Little Sisters”, pequenas crianças também dominadas por esse estranho experimento do laboratório, que você pode libertar ou sacrificar para ganhar algumas vantagens. (ao sacrificadas elas viram um fígado! Faça o teste)

“Menina, larga esse pedaço de ferro pontiagudo e afiado! Você pode ferir alg…Ops.

Compra, gasta e hackeia

Bioshock ainda tem espaço para mais idéias que caíram perfeitamente no sistema de jogo. Uma dessas idéias são as maquinas que vendem itens. Como assim? Lembra de Dino Crisis (é, aquele jogo do dinossauro e da ruivinha Regina) onde você tinha alguns pontos onde você podia comprar itens e munições com o dinheiro ganho dos inimigos? Pois bem, em Bioshock é quase assim.

Ao derrotar qualquer inimigo, você tem a chance de revirar o corpo para buscar itens e dinheiro. E em praticamente todo objeto do cenário, a mesma coisa pode ser feita.

Essas máquinas vendem vários tipos de coisas, desde itens para recuperar sua vida e energia das magias, a até mesmo algumas habilidades especiais atreladas às suas armas.

Mas se você achar que os preços estão muito salgados, basta hackear a máquina. Sim, ao tentar hackear você entra em uma espécie de puzzle, onde deve colocar os canos em seqüência antes que a água passe entre eles. Fazendo isso, você ganha vantagens em preços, acessos a áreas escondidas e pode até mesmo fazer robôs inimigos ficarem do seu lado e te ajudar por um bom tempo.

Algo bacana de se citar é que o jogo pode ser salvo a qualquer momento, característica muito famosa nos jogos de PC, que dessa vez ainda se estendeu para os consoles de mesa da Microsoft e da Sony. Bem que poderia virar moda.

Esse é um exemplo dos puzzles do game. Sacou a idéia?

Vai buscar o queixo…

Agora hora de babar o ovo e segurar o queixo. Vamos falar de gráficos! Olha, fazia tempo que eu não sentia a sensação: “Meu Deeeuuss…” ao jogar alguma coisa de nova geração. Mas quando eu bati os olhos nos gráficos de Bioshock, eu tive a mesma sensação de quando joguei Gears of War, pela primeira vez.

Ver fotos e vídeos não é suficiente para entender o quanto a os polígonos fluem bem, e como as texturas são incrivelmente reais. Tente dar um tiro em um quadro, para ver a textura de madeira aparecer na área da bala. Agora tente fazer o mesmo em algum vidro para o ver trincando com muita realidade e até quebrando.

Isso sem falar que durante o gameplay você pode acabar soltando o controle pensando que alguma cutscene está rolando – tamanha a fidelidade dos visuais. Jogue o comecinho para ver tubos quebrando e a água invadindo….Cadê meu queixo??

Além de visuais cinematográficos, os sons também são de cinema. Preparem-se para escutar tiros, vozes, ruídos e musicas que te deixam ainda mais tenso em momentos de suspense. Se você tiver um home theater, pode ter certeza que não vai dormir muito bem à noite, hehe.

Os cenários são incrivelmente detalhados e bem feitos. Olha só o sangue…Sinistro!

Ta esperando o que? Acaba de ler e vai jogar, rapaz!

Bioshock trás uma experiência difícil de encontrar hoje em dia, com um conjunto de botar inveja. Palmas para a Irrational Games (que de irracional não tem nada) que conseguiu colocar (muita) criatividade em um gênero já bem explorado por várias produtoras. (inclusive a Midway, com seu “incrível” Hour of Victory)

Olha, acho que acabei falando demais. Mas sei que você deve saber o quanto é difícil falar pouco de jogos extremamente bons. Já estou providenciando minha cópia de Bioshock, até porque mês que vem é meu aniversário. Alguém se oferece para me dar de presente? 🙂

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12 comentários sobre “Análise: Bioshock

  1. Rafael Lemos

    Linda resenha, muito boa mesmo.
    Vou por seu blog no meu blogroll, se você quiser, ponha o meu aí também 🙂

    Continue com esses textos maravilhosos!

    Abraço.

  2. danilodk

    eai lucas fmz?
    muito boa essa analise do bioshock, fiquei até com vontade de jogar, mas ainda naum tenhu um PS3 e nem um x360 e meu pc tb naum aguentaria. (Nossa to mal na new generation! hehehe)
    mas msm assim vou ver se consigo na loja do meu amigo! hehe
    Flw!!

  3. Como eu comentei no 16bit, o que mais me chamou a atencao foram os efeitos sonoros. Nunca ouvi tao bem trabalhados assim em outros jogos, desde a dublagem ate o som da goteira pingando no outro lado da sala.

    Vou tentar pegar um 360 emprestado ;P

  4. Pingback: Segunda chance « No Controle

  5. Vendo o vídeo dos 10 primeiros minutos de Bioshock a primeira coisa que veio a minha cabeça foi… nada.
    Fiquei paralisado totalmente por, por… por aquilo…

    Faz tempo que eu não vejo um jogo me empolgar de verdade! O conjunto de musica, som, esquisofrenia, ironia, inovação, insanidade e audacia fez nascer um jogo incrível. Mesmo não dando a mínima pra ele (vide meu post) sofro por minhas palavras…

    Mas (sempre tem o ‘mas’), depois ler e assistir várias vezes acho que consigo algumas opiniões a mais do que o já repetitivo ‘nossa que jogo foda’.

    Poderia se resumir em idéias do mundo do entretenimento que deram certo (e lucro) e fazer uma coisa nova. Como eu não conheço o primeiro jogo, não sei o que ficou dele, mas o que eu sei é:

    -começamos com uma referência catódica a Lost (não ço a mínima idéia do que catódica significa… mas soava bem aí ^^)
    mas presta atenção, narrativa confusa e desesperadora (causando no jogador o mínimo de ansiedade, prendendo-o), aí vem os misterios confusos e o videozinho do progenitor de uma idéia fantástica fracassada… ham ham, ouvi Dharma por aí?

    -um pouco antes disso temos aquela cápsula misteriosa que te prepara ao mundo estranho que está por vir. Com gráficos polidos contrastantes a partir do momento que você entra no farol, e após entrar na cápsula você se depara com uma alvanca (!), vo^ce pressiona a alavanca (!!), e observa o descer da cápsula/elevador pacientemente (!!!). Isso somado a impulso de exploração induzida e a própria proposta do jogo (você foi parar numa ilha, descubra seus misterios e lute contra falta de propósito da sua vida)… Totally Myst!

    -direção cinemátrografica para prender/empolgar qualquer um. Som fantástico, gráficos impressonionante, proporção imensa, direção de arte impecável… poderia encher isso de elogios que não expressariam aquilo que vi e li, mas não ia valer porque foi você que me contou tudo que eu escreveria aqui.

    Mas eu não estou querendo criticar o jogo. Sim, ele ‘faz referência’ a muitas outras séries de sucesso, mas quem não faz isso hoje em dia??
    Ao contrário, Bioshock merece aplausos, não só por fazer bonito em todos os aspectos, mas também por captar tyoda a essêcia de GRANDES jogos e outras formas de entretenimento (aposto que tem muita coisa também no meio do jogo) e juntá-las de forma uniforme e perfeita…

    E o que mais me cativou no jogo é que ele ousou ser sério. Mesmo achando jogos por aí supostamente sérios, com história adulta e postura radical, Bioshock me pareceu querer brincar com a ironia e desafiar o jogador num ambiente esquisofrênico pseudo-trhiler (não sei escrever isso¬¬).

    E isso em um vídeo de 10 minutos… babando até gora…

    Putz… devia recorta e cola isso num post hehe…

    Vou postar nos seus outros post (você escreve muitoooo…uma semana fora e acontece tudo isso!… ou sou eu que estou lento?… provavelmente a ultima opção) mas minhas mãos doem…

    calma! ainda não acabou…
    niver chegando e dinheiro extra no fundo da meia significa: presente! (de mim para mim, mas tá valendo)…
    decidi comprar alguma coisa pro DS, e vim pedir sua opinião por que é uma das unicas pessoas que conheço que manja do pequeno…
    penso em comprar adaptador Wi-fi, Pokémon, ou um daqueles baratos que transforma o DS em aparelho multimídia (preciso de um para o trem), e me deu uma vontade repentína de jogar Metroid Prime… então, acabe com minha angústia!

    ah! q post enormeeee 🙂

  6. É Lucas, realmente Bioshock é uma experiência mito banaca. Se vocêtiver a chance de qqr dia desses poder jogar essa belezinha em uma tela de cinema, o faça! rs

    Sobre o DS, bem, eu indicaria o Pokemon sim. Eu já estou com 350 horas de jogo, e comecei a parar de jogar.

    Mas lembre-se de FF3, New Super Mario Bros, Advance Wars, Phoenix Wright, Yoshis Land 2, Brain Age 2, etc, etc etc…
    Prepare-se para gastar um pouco, hehe.
    Grande abraço!

  7. Pingback: Onde o tudo e o nada se confundem « Just a Souvenir

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