A verdade sobre violência nos games

Entrevista com a Dra Olga Tessari aqui no GoLuck!Todo mundo que é gamer sabe que os videogames são altamente criticados por serem violentos e por supostamente induzir jovens a criminalidade e a ter atitudes violentas. Mas será que isso tudo é mesmo verdade?

Claro que os que jogam defendem sua parte. Mas como episódios, tal qual jovens que entram em escolas matando colegas e professores,  acabam acontecendo esporadicamente e sempre acabam jogando parcela da culpa nos games, acho que você também já deve ter parado para pensar nisso. Não é mesmo?

Por isso que eu resolvi buscar uma luz, alguém que pudesse dizer com clareza quais são os reais problemas, se é que existem, dos jogos eletrônicos.

Chega de escutar lendas e opiniões preconceituosas. Hoje eu vou colocar uma entrevista feita com a Dra. Olga Inês Tessari, psicóloga e psicoterapeuta desde 1984, que em seu site, Ajuda Emocional, possui diversos artigos sobre temas diferenciados.

Na entrevista a psicóloga me contou sobre a importância dos pais e dos reais causadores da violência na cabeça de um jovem. Confiram.

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GoLuck – Os jogos eletrônicos, no geral, são muito criticados por serem “possíveis” influenciadores de violência entre jovens. Você acredita que exista uma real relação entre jogos e violência?

Dra Olga Tessari – Não existe uma relação direta entre jogos e violência, embora a maioria das pessoas pense que a violência dos jovens seja por conta dos jogos eletrônicos! Não são os jogos que incentivam a violência, o meio (leia-se família) em que a criança vive é o responsável por sua violência, ou seja, o comportamento dela dependerá de como será educada, bem como da conduta que seus pais fornecerão como modelos que são.

Se um jovem apresenta agressividade por conta dos jogos, na verdade este é apenas um sintoma de algo maior, de sua insatisfação consigo mesmo e/ou com o meio que o cerca. O jovem emocionalmente saudável brinca com o jogo por um tempo, mas logo se cansa.

Os jogos não interferem na sua vida real nem nos seus compromissos com a família, com a escola e com os amigos. Para ele é apenas um jogo, que até pode estimular determinadas brincadeiras, mas nada, além disso.

Aquele que se torna viciado em jogos eletrônicos revela que algo não vai bem com ele, pois é impaciente, ansioso e busca no jogo uma satisfação que não tem dentro de si mesmo.Vale dizer que os jogos eletrônicos em geral têm a função de descarregar as energias armazenadas, além de estimular o raciocínio, a criatividade, a atenção, a memória, a coordenação motora fina e a estratégia.

GTA é um dos grandes alvos da imprensa 
GoLuck – Um jovem que joga games com temas violentos, porém se adequa a classificação indicativa dos mesmos, pode acabar tendo problemas como comportamento violento e etc devido a esses jogos?

Dra Olga Tessari – Não é o jogo com temas violentos que provoca o comportamento violento do jovem, mas se ele não tem uma boa relação com o meio que o cerca, ele pode vir a se tornar violento como forma de expressar a sua revolta com o meio.

GoLuck – Como os pais devem agir com os filhos quando se trata de jogos eletrônicos?

Dra Olga Tessari: Jogar é bom, mas não pode ser a única atividade de lazer para um jovem. Os pais devem programar um tempo na agenda diária do filho para que ele possa escolher o que quer fazer além de jogar: leituras, atividades com amigos, passeios, etc…

Os pais devem estar atentos para que o desempenho escolar do filho continue o mesmo, para que ele continue a cumprir com os seus compromissos e responsabilidades. É preciso estabelecer limites e horários para os jogos, assim como é importante observar o comportamento dos filhos cotidianamente.

Os pais são os responsáveis pelos seus filhos e pelo futuro deles como pessoas, portanto, não devem neglicenciar a atenção para com eles! E, caso percebam que o filho anda irritado, agressivo, é preciso conversar com ele e descobrir o que o está incomodando: manter um diálogo aberto e franco nem que seja por alguns minutos ao dia é o melhor antídoto contra a violência.

Manhunt 2 é o atual “causador de problemas” da indústria. Já foi banido de vários paóes.

GoLuck – Quando existe casos com o de um aluno que entra atirando em uma escola americana, quem deve ser culpado: a educação dada pelos pais; influência de amizades; ou influência de meios de entretenimento, tais como jogos, cinema, TV, etc?

Dra Olga Tessari – Vamos por partes para que você possa entender melhor.

1) O jovem é o reflexo da educação a que é submetido dentro de sua casa. Nesse sentido, certamente ele vem de uma família repressora, de uma família onde não há diálogo, onde ele não é respeitado.

2) Meio em que vive:

a) É comum dizer que os amigos influenciam um jovem, mas na verdade, a escolha dos amigos está diretamente relacionada à educação dada pelos pais e à relação entre pais e filhos.

b) amigos até podem querer exercer uma certa influência, mas, se o jovem tem uma boa auto estima, ele não se deixa ser pressionado por eles, nem quer “fazer bonito” para os amigos, nem se deixa influenciar.

c) meios de entretenimento (jogos, cinema, tv): podem exercer uma certa influência se o jovem não tem discernimento para saber o que é certo ou errado, portanto, de novo, voltamos à educação dada pelos pais.

Portanto, em última instância, a culpa recai sobre os pais! Infelizmente, muitos pais não conseguem percebê-la, preferindo fazer-se de vítimas, culpando os amigos e a sociedade!

QUal mãe nunca disse: “Que jogo feio esse onde você arranca a coluna vertebral do seu amiguinho!!”

GoLuck – Qual é, na sua visão, a melhor maneira de se lidar com jogos eletrônicos em uma sociedade afogada por violência como a nossa?

Dra Olga Tessari – Todo jovem precisa lidar com a agressividade que faz parte dessa fase da vida e os jogos surgem justamente para descarregar a sua tensão e agressividade de uma forma positiva.

O que pode acontecer, com a prática indiscriminada dos jogos eletrônicos aliado ao sensacionalismo televisivo e à falta de valores da família é a banalização da violência, pois as pessoas passariam a encará-la de uma forma comum, tornando-se menos sensíveis a situações que antes causavam indignação ou constrangimento.

Mas, para que isto ocorra, é preciso que a criança esteja no seio de uma família onde os valores éticos e morais não sejam bem definidos ou o relacionamento familiar não seja coeso.

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12 comentários sobre “A verdade sobre violência nos games

  1. Parabéns. Muito boa a entrevista, apesar de a Dra. ter falado a mesma coisa umas sete vezes. Sabe o que eu acho sobre esse tema da violência? Acho que a culpa é da família. Tá, to brincando =)

    Continue assim, os teus trabalhos mais “elaborados” são muito bons.
    Ah… logo teremos uma entrevista também no Assopre a Fita. Ela já está prontinha, só que por questões jurídicas só vai poder sair daqui a um tempo : )

  2. Estellinha

    AMEEII

    sim namoradas ajudam =)

    Nada como a opiniao de uma profissional conceituada.

    Ta eu nao vi creditos nem obrigada para mim e nem para a Dra.Olga,mas eu sei que voce esqueceu mas msm assim fica muito grato pelo empurraozinho

    Han
    sei ser puxa-saco mas tb posso puxar a orelha

    Muito boa a materia

    Parabens Lucas Patricio
    nao foi uma otima,mas uma excelente materia!

    =*

  3. UHAUhauHAU Estella, não citei que foi você quem achou o site da doutora Olga nem te agrdeci porque o texto dessa vez foi um pouco mais jornalistico e menos “bloguistico”.

    E eu agradeci a Dra sim, por email ^^ No texto eu dei os devidos créditos 😉

  4. Olha, adorei a entrevista, e como o Rodrigo disse, apesar dela ter dito a mesma coisa umas catôze (piadinha interna, não pude evitar) vezes, tá certo mesmo, a fase mais importante da vida pra formação de um caráter base é a infância, se a criança é negligenciada, ela vai procurar a quem lhe dê atenção, seja um videogame ou um amigo que não seja tão boa influência. Enfim, vou falar de novo: A culpa é (normalmente) dos pais, a não ser que o cara tenha algum tipo de distúrbio mesmo.

    E enfim, eu e mais uns amigos começamos um novo blog, o Station Square (onde cê já comentou, agradeço, por sinal) e vamo-que-vamo!

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