Recomeçar do início, nunca do zero

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Em Dead Cells, jogo do estúdio independente Motion Twin, toda vez que você morre seu personagem volta ao início de um misterioso castelo, cenário onde é preciso explorar e batalhar contra monstros assustadores. Após ser facilmente derrotado por um dos primeiros monstros do jogo, me vi sem os itens que tinha apanhado pelo caminho. Entendi que morrer tinha uma dura punição.

Comecei de novo e, com medo de perder minha espada flamejante e bomba congelante – itens adquiridos após muito esforço – avançava lentamente, evitando conflitos contra monstros desconhecidos. Mas a cautela não me salvou por muito tempo. Se eu quisesse alcançar novos corredores e salas do castelo, precisava me expor. E, não muito depois, morri novamente.

Desanimado com a volta ao ponto inicial percebi algo; algumas das melhorias e equipamentos que adquiri nas tentativas anteriores estavam facilmente acessíveis para a nova jornada.

Melhor equipado, avancei com mais confiança. Já conhecendo o padrão dos ataques dos monstros que me derrotaram anteriormente, foi muito mais fácil passar por eles. Mas sempre que avançava em territórios ainda não explorados, era surpreendido novamente e morria.

De volta para o início.

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Em uma das novas tentativas descobri um sistema secreto de atalhos. Logo depois, percebi que o cenário dava diversas dicas sobre desafios perigosos e armadilhas. Antes, preocupado apenas em avançar, esses sinais pareciam apenas detalhes insignificantes. Em cada nova tentativa me tornava melhor e mais rápido.

Por volta da minha décima tentativa, tinha reduzido o meu tempo na primeira etapa do castelo pela metade. E não foi só um exercício de registro dos melhores caminhos, já que em Dead Cells o cenário é construído de forma randômica toda vez que se morre. Os caminhos nunca são iguais, mas compartilham de vários sinais em comum.

Ainda que não exista objetivo claro, me via preso na tentativa de chegar mais longe. Seria esse o real propósito do jogo? A história, contada por meio da interação com recorrentes personagens e interação com o mundo e próprio castelo, se tornava cada vez mais viva.

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Chegar mais longe, no entanto, nem sempre significava avançar para novas localidades do castelo. Em algumas tentativas encontrei atalhos, habilidades e poderosos equipamentos. Adquirir recursos especiais também se provou uma eficiente forma de progredir – mesmo que não tenha passado de um cenário já visitado anteriormente.

Voltei ao começo do castelo dezenas de vezes. Nunca, no entanto, comecei do zero. Apesar de ter um novo objetivo a cada novo recomeço, aprendi que cada jornada me trazia conhecimentos e recursos que inevitavelmente me deixavam mais forte.

Não sei o que vou encontrar no final do castelo e – pior – se existe mesmo um fim. Mas Dead Cells me ensinou que não importa quantas vezes é preciso voltar do começo, sempre estamos mais preparados.

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