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Entrevista: Glauco Bueno (Synergex)

Entrevista com Glauco Bueno, da Synergex BrasilO Brasil nesse fim de ano terá em seu mercado nacional uma situação praticamente inédita: duas empresas que distribuem jogos de grandes softhouses começam a fazer barulho por aqui.

Uma delas é a Gamers, que acabou de chegar por aqui. E a outra, a canadense Synergex, da qual já comentei aqui no blog algumas vezes.

Para você não ficar perdido e entender quais serão as intenções e vantagens delas, hoje irei postar uma entrevista com Glauco Bueno, diretor para América Central e do Sul da Synergex. Bueno comanda as operações no Brasil, Chile e Colômbia.

Glauco me contou na entrevista que a empresa deseja e pensa sim em fazer jogos localizados (traduzidos para português), e ainda deu uma pequena lista dos jogos e empresas que a Synergex irá trazer e representar no Brasil.

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GoLuck – Qual a importância do Brasil, atualmente, para a SYNERGEX?           

Bueno A companhia está expandindo seus negócios para a América Latina. No ano passado, começou a atuar no México e este ano Brasil, Colômbia e Chile. A Synergex pretende usar suas parcerias com publishers de renome do mercado mundial de games para ampliar o mercado brasileiro, que segundo seu presidente, David Aiello, é muito parecido com o mercado canadense de dez anos atrás, quando ele abriu a empresa.
Gostaria de ressaltar que não seremos uma distribuidora, mas os representantes comerciais destas empresas.

A SYNERGEX distribui jogos de quais softhouses e quais consoles?

Vamos trabalhar com Midway, Capcom, Square Enix, Game Factory, e os jogos para console da Atari, Disney e Ubisoft, e estamos fechando outros acordos. As plataformas Nintendo DS, Playstation 2, Playstation 3, PSP, XBox 360 e Wii e também games para PC.
 
Quais serão os futuros títulos que a empresa irá trazer para o país?

Entre os primeiros títulos estão Stranglehold, jogo da Midway para PC, baseado no filme de John Woo; Disney´s High School Musical (PS2 /NDS) e Power Rangers: Super Legends (PS2/NDS), da Disney Interactive; Mega Man Star Force Pegasus (NDS) e Devil May Cry Collection (PS2), da Capcom. Para os aficionados por luta teremos o Ninja Gaiden Sigma, da Tecmo, para PS3. E da Ubisoft Rayman Raving Rabbids (Wii/PS2), Ghost Recon Advanced Warfighter 2 (PSP/PS3), Blazing Angels 2: Secret Missions (PS3/X360); Brothers in Arms Double Time (Wii), Cosmic Family (Wii), Jam Sessions (NDS), Chessmaster XI (NDS) e títulos da série de TV CSI para NDS, Wii, PS2 e X360.
 A longo prazo nossos laços comerciais com os fabricantes se multiplicarão, e vamos instalar outras divisões da empresa canadense no Brasil.  Os produtos poderão ser encontrados nas grandes redes, em lojas físicas e online, entre elas UZ Games, Fnac, Saraiva, Blockbuster, Americanas.com, Submarino.com, Explosão Virtual e muitas outras.

Existe a possibilidade de futuramente títulos serem distribuídos não apenas com caixas e manuais em Português, mas também o próprio jogo, como legendas e dublagens?

Sim. Trabalhamos para que no futuro exista a possibilidade de legendá-los ou traduzi-los.

Os preços dos jogos, como a própria empresa exemplificou, sofrem um efeito “cascata” conforme o tempo. Quais serão os próximos jogos com preços mais “camaradas”?

Os descontos dados pelos publishers serão repassados para os nossos clientes.  Na faixa de preço exercida pela Synergex, o valor de um jogo pode variar, como se pode ver a seguir:

PS3 – entre R$ 209 e R$ 229

PSP – entre R$ 179 e R$ 199

Xbox 360 – entre R$ 249 e R$ 269.

Nintendo DS – entre R$ 179 e R$ 199

Ainda, temos a venda de produtos de catálogo e bundles de alto valor agregado e com preço competitivo. A nossa experiência com os outros países da América Latina nos mostrou que essa é uma das melhores oportunidades para o consumidor adquirir produtos originais a preços mais acessíveis. 

Em 2008, existe algum tipo de projeto para representar mais softhouses ou distribuir outros tipos de produtos por aqui?

Sim, estamos negociando com outros publishers. Também devemos começar a trazer acessórios.
Nossa empresa está diretamente focada ao mundo do entretenimento digital, seja através de videogames, de acessórios, há um mercado totalmente inexplorado no Brasil que refere-se aos livros de dicas e passo-a-passo, e também a outros produtos que estejam relacionados à diversão eletrônica, digital, com certeza não ficaremos restritos aos games.

Até esse exato momento, qual está sendo o resultado desses primeiros meses no Brasil?

Estamos nos dedicando a estudar profundamente o mercado brasileiro e nas formas de nos integrarmos a ele dentro das diretrizes de transparência com os fabricantes e legalidade de todos os processos da empresa. Nos próximos dias vamos iniciar a venda do primeiro produto para PC feito no Brasil, Stranglehold, um título muito aclamado pela mídia especializada lá fora e que eu tenho certeza será um sucesso de vendas aqui.

Para terminar, a pergunta que todos querem saber: no Canadá, a SYNERGEX é responsável pela distribuição oficial do Playstation 3. Existe a possibilidade do mesmo ocorrer no Brasil?

Ainda não temos nenhuma informação para passar a respeito desse assunto.

A verdade sobre violência nos games

Entrevista com a Dra Olga Tessari aqui no GoLuck!Todo mundo que é gamer sabe que os videogames são altamente criticados por serem violentos e por supostamente induzir jovens a criminalidade e a ter atitudes violentas. Mas será que isso tudo é mesmo verdade?

Claro que os que jogam defendem sua parte. Mas como episódios, tal qual jovens que entram em escolas matando colegas e professores,  acabam acontecendo esporadicamente e sempre acabam jogando parcela da culpa nos games, acho que você também já deve ter parado para pensar nisso. Não é mesmo?

Por isso que eu resolvi buscar uma luz, alguém que pudesse dizer com clareza quais são os reais problemas, se é que existem, dos jogos eletrônicos.

Chega de escutar lendas e opiniões preconceituosas. Hoje eu vou colocar uma entrevista feita com a Dra. Olga Inês Tessari, psicóloga e psicoterapeuta desde 1984, que em seu site, Ajuda Emocional, possui diversos artigos sobre temas diferenciados.

Na entrevista a psicóloga me contou sobre a importância dos pais e dos reais causadores da violência na cabeça de um jovem. Confiram.

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GoLuck – Os jogos eletrônicos, no geral, são muito criticados por serem “possíveis” influenciadores de violência entre jovens. Você acredita que exista uma real relação entre jogos e violência?

Dra Olga Tessari – Não existe uma relação direta entre jogos e violência, embora a maioria das pessoas pense que a violência dos jovens seja por conta dos jogos eletrônicos! Não são os jogos que incentivam a violência, o meio (leia-se família) em que a criança vive é o responsável por sua violência, ou seja, o comportamento dela dependerá de como será educada, bem como da conduta que seus pais fornecerão como modelos que são.

Se um jovem apresenta agressividade por conta dos jogos, na verdade este é apenas um sintoma de algo maior, de sua insatisfação consigo mesmo e/ou com o meio que o cerca. O jovem emocionalmente saudável brinca com o jogo por um tempo, mas logo se cansa.

Os jogos não interferem na sua vida real nem nos seus compromissos com a família, com a escola e com os amigos. Para ele é apenas um jogo, que até pode estimular determinadas brincadeiras, mas nada, além disso.

Aquele que se torna viciado em jogos eletrônicos revela que algo não vai bem com ele, pois é impaciente, ansioso e busca no jogo uma satisfação que não tem dentro de si mesmo.Vale dizer que os jogos eletrônicos em geral têm a função de descarregar as energias armazenadas, além de estimular o raciocínio, a criatividade, a atenção, a memória, a coordenação motora fina e a estratégia.

GTA é um dos grandes alvos da imprensa 
GoLuck – Um jovem que joga games com temas violentos, porém se adequa a classificação indicativa dos mesmos, pode acabar tendo problemas como comportamento violento e etc devido a esses jogos?

Dra Olga Tessari – Não é o jogo com temas violentos que provoca o comportamento violento do jovem, mas se ele não tem uma boa relação com o meio que o cerca, ele pode vir a se tornar violento como forma de expressar a sua revolta com o meio.

GoLuck – Como os pais devem agir com os filhos quando se trata de jogos eletrônicos?

Dra Olga Tessari: Jogar é bom, mas não pode ser a única atividade de lazer para um jovem. Os pais devem programar um tempo na agenda diária do filho para que ele possa escolher o que quer fazer além de jogar: leituras, atividades com amigos, passeios, etc…

Os pais devem estar atentos para que o desempenho escolar do filho continue o mesmo, para que ele continue a cumprir com os seus compromissos e responsabilidades. É preciso estabelecer limites e horários para os jogos, assim como é importante observar o comportamento dos filhos cotidianamente.

Os pais são os responsáveis pelos seus filhos e pelo futuro deles como pessoas, portanto, não devem neglicenciar a atenção para com eles! E, caso percebam que o filho anda irritado, agressivo, é preciso conversar com ele e descobrir o que o está incomodando: manter um diálogo aberto e franco nem que seja por alguns minutos ao dia é o melhor antídoto contra a violência.

Manhunt 2 é o atual “causador de problemas” da indústria. Já foi banido de vários paóes.

GoLuck – Quando existe casos com o de um aluno que entra atirando em uma escola americana, quem deve ser culpado: a educação dada pelos pais; influência de amizades; ou influência de meios de entretenimento, tais como jogos, cinema, TV, etc?

Dra Olga Tessari – Vamos por partes para que você possa entender melhor.

1) O jovem é o reflexo da educação a que é submetido dentro de sua casa. Nesse sentido, certamente ele vem de uma família repressora, de uma família onde não há diálogo, onde ele não é respeitado.

2) Meio em que vive:

a) É comum dizer que os amigos influenciam um jovem, mas na verdade, a escolha dos amigos está diretamente relacionada à educação dada pelos pais e à relação entre pais e filhos.

b) amigos até podem querer exercer uma certa influência, mas, se o jovem tem uma boa auto estima, ele não se deixa ser pressionado por eles, nem quer “fazer bonito” para os amigos, nem se deixa influenciar.

c) meios de entretenimento (jogos, cinema, tv): podem exercer uma certa influência se o jovem não tem discernimento para saber o que é certo ou errado, portanto, de novo, voltamos à educação dada pelos pais.

Portanto, em última instância, a culpa recai sobre os pais! Infelizmente, muitos pais não conseguem percebê-la, preferindo fazer-se de vítimas, culpando os amigos e a sociedade!

QUal mãe nunca disse: “Que jogo feio esse onde você arranca a coluna vertebral do seu amiguinho!!”

GoLuck – Qual é, na sua visão, a melhor maneira de se lidar com jogos eletrônicos em uma sociedade afogada por violência como a nossa?

Dra Olga Tessari – Todo jovem precisa lidar com a agressividade que faz parte dessa fase da vida e os jogos surgem justamente para descarregar a sua tensão e agressividade de uma forma positiva.

O que pode acontecer, com a prática indiscriminada dos jogos eletrônicos aliado ao sensacionalismo televisivo e à falta de valores da família é a banalização da violência, pois as pessoas passariam a encará-la de uma forma comum, tornando-se menos sensíveis a situações que antes causavam indignação ou constrangimento.

Mas, para que isto ocorra, é preciso que a criança esteja no seio de uma família onde os valores éticos e morais não sejam bem definidos ou o relacionamento familiar não seja coeso.


junho 2017
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