É isso

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Foi muito legal. Fazia tempo que não dedicava parte do meu dia para escrever – algo que há alguns anos era minha principal rotina.

Quando resolvi passar mais tempo fazendo do que planejando, acabou saindo, de forma espontânea, todos os registros publicados aqui no blog nesses últimos 10 dias. Foram histórias que resgatei do fundo das caixas de e-mail e principalmente de algumas das minhas lembranças mais marcantes. 

A volta de quem foi
O dia que Watch Dogs vazou no Brasil
O e-mail e o texto que garantiram meu primeiro emprego
A janela
O que nos uniu
GoLuckast: a desculpa perfeita para ver os amigos. E comer esfihas.
O sonho que nunca alcancei
O primeiro encontro

Foi nesse blog que testei, desenvolvi e aprimorei diversas habilidades profissionais básicas. Mas, principalmente, foi por meio dele que conheci pessoas incríveis que hoje fazem parte da Gomídia e da minha vida.

Dessa forma, encerro o breve período de atividade do GoLuck. Ainda existem algumas histórias que quero contar, mas essas ficam para depois.

Agradeço todos que leram, comentaram ou vieram conversar comigo sobre os textos. Se alguma dessas histórias te fez lembrar de bons momentos, a missão foi cumprida.

Não é Game Over, apenas um checkpoint até a próxima oportunidade.

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Marcos Diniz, Eu, Wagner Araújo e Camilo Bogado, alguns dos membros do GoLuck durante o período de atividade entre 2007 e 2010.

O primeiro encontro

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A viagem entre Cubatão e Santos levava aproximadamente 30 minutos, quase o tempo que eu esperava no ponto pelo ônibus intermunicipal. Era uma rotina que estava bem acostumado; durante toda minha adolescência fazia esse trajeto para ir até a escola e, aos finais de semana, para aproveitar o lazer que a cidade vizinha oferecia.

Aquele dia, no entanto, eu estava mais agitado que o normal. Logo após o almoço fiz o caminho até o ponto. Como o celular da época servia apenas para telefonar e ver as horas, o meu principal passatempo no ônibus era escutar as histórias contadas em alto e bom som pelos colegas passageiros, entrar em profundas reflexões sobre a vida ou, claro, jogar alguma coisa no meu Nintendo DS. Não saia de casa sem ele, quase um amuleto.

Essa viagem não foi assim. Eu estava inquieto, tirava o celular do bolso e encarava a tela do celular constantemente. Com certa dificuldade, tentava jogar alguma coisa no videogame portátil. Teria sido mais fácil se não estivesse com a mão direita imobilizada, resultado de uma fratura no dedo mindinho naquela que viria a se tornar minha última partida de futebol como goleiro. Mas não era a mão esquerda que me impedia de jogar, era a ansiedade.

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A chegada até o ponto de ônibus em Santos ainda reservava uma longa caminhada até o Gonzaga, bairro onde tudo acontecia. O Sol forte do meio da tarde me fez desacelerar o já usual passo apertado, que quase sempre me fazia sentir dores na coxa de tão exigente que era com a velocidade das passadas. Aquele dia não queria ser castigado pelo suor.

Quando avistei meu destino final do outro lado da Avenida Ana Costa, parei e puxei novamente o celular do bolso. Estava no horário; uma hora antes do combinado. Como sempre, tinha chegado cedo.

Até hoje sou alvo de piadas pela minha chatice com horários. Quem me conhece atualmente não sabe o quão pior eu era naquela época. Uma pessoa em especial estava prestes a descobrir isso.

Chegar cedo não era problema. Eu já tinha meu roteiro para matar tempo pronto na cabeça: caminhada até o início da avenida, visita aos boxes que vendiam jogos, passagem pela principal banca da cidade e, enfim, caminhada de volta até o cinema. E assim o fiz.

Passei pelas populares galerias na rua Marcílio Dias, onde observei os jogos piratas vendidos em todos os boxes. Adorava olhar as pastas com capas dos lançamentos enquanto escutava outras pessoas falando sobre jogos.

Mais uma olhada no relógio: hora de iniciar o caminho de volta. Andei até a banca Estátua, no coração da Praça Independência – um local conhecido por todo santista. A banca Estátua era famosa por ser uma das únicas a ter variedade de conteúdos nerds em tempos em que isso ainda não era cool e descolado. Foi nessa banca que comprei parte da minha coleção de cartas de Magic e, claro, revistas de videogame. E era esse o motivo que estava ali.

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As revistas de videogame sempre habitaram uma área específica das bancas, geralmente escondidas em um canto. Mas meus olhos já estavam treinados para identificar os logos no canto superior esquerdo das capas coloridas. Em poucos segundos estava com a revista desejada em mãos: a edição do mês da Nintendo World.

Tirei o dinheiro da carteira – outro costume antigo, não usava cartão – e paguei no caixa. Antes de sair, agarrei uma sacola. Já do lado de fora, encostei no ponto de ônibus próximo e foliei a revista. Passei rápido pelas primeiras páginas até encontrar meu nome em uma das matérias. Fazia menos de um ano que começara a escrever na Nintendo World, me enchia de orgulho ver impresso meu nome naquelas páginas que lia desde pequeno.

Enquanto relia o texto que havia escrito há pouco mais de um mês na minha seção sobre Pokémon, percebi que estava na hora de seguir caminho. Brigando com a mão enfaixada, guardei a revista na sacola e coloquei a carteira ­– que na emoção ainda segurava na mão – no bolso.

Andei até o cinema fazendo a tradicional checagem de pertences a cada minuto; a mão esquerda batia no bolso esquerdo da calça: celular, check. No bolso direito da calça: chaves, check. No bolso de trás da calça: carteira, check. E, por fim, uma passada mais longa para sentir o impacto do Nintendo DS no bolso da perna (lembra quando eles existiam?). Estava tudo pronto.

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Na entrada do cinema encontrei a Nathalia, que era da minha turma da faculdade de jornalismo e uma das minhas melhores amigas. O namorado dela na época, no entanto, eu não conhecia. Era um cara alto com um sorriso aberto, simpático, mas diferente dos amigos que eu costumava ter. Ele não parecia nerd. “Nunca vou ser amigo desse cara”, pensei anos antes dele se tornar meu sócio e um dos meus melhores amigos. Me cumprimentaram e ficamos ali por um tempo. Esperávamos alguém.

Enquanto contava para o tal de Guilherme como havia quebrado o dedo, percebia que estava suando mais parado que quando andava sob o Sol. Nervoso, fazia a checagem repetitivamente.

Mão esquerda, bolso direito. Check.
Mão direita, bolso de trás. Check.
Chaves, carteira.
Pequeno chute no ar, senti Nintendo DS bater na perna. Check.

Ela chegou.
Check.

Não conhecia aquela garota, mas ela era o motivo pelo qual eu estava ali. Não entendi nenhuma das 25 palavras que ela disse em uma velocidade ainda maior que minhas passadas entre os cinco segundos em que chegou e nos cumprimentou.

Um garoto com a mão enfaixada, segurando uma revista de videogame, com um DS no bolso e que não parava de falar durante o filme não é tudo que você imaginou para seu primeiro encontro?

Enquanto ela correu para comprar os ingressos e ir ao banheiro, recebi olhares marotos da Nathalia e Guilherme. Esperavam algum tipo de aprovação, afinal de contas, ambos tinham planejado e organizado o encontro dos respectivos amigos solteiros.

A garota voltou apressada enquanto continuava falando sem parar. E apesar de não saber exatamente como pronunciar corretamente seu nome, eu já tinha aprendido algumas coisas sobre ela. E ela possivelmente aprendeu muito mais sobre mim.

Cobri o rosto durante quase todo o filme escolhido, O Nevoeiro. Tinha (e ainda tenho) pavor de filmes de suspense. Na tentativa de esconder o nervosismo, puxava assuntos sobre as cenas que apareciam no telão. Uma das coisas que gostaria de saber sobre a garota naquele momento era o quanto ela odiava quem falava durante os filmes.

Um garoto com a mão enfaixada, segurando uma revista de videogame, com um DS no bolso e que não parava de falar durante o filme não é tudo que você imaginou para seu primeiro encontro?

O que viria a seguir, infelizmente, não me ajudaria. A indicação de jantar do casal que organizou o date: um restaurante japonês.

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Nunca consegui escovar os dentes usando a mão esquerda, imagine minha performance com os hashis no meu primeiro contato com a culinária oriental. Já que não sabia o que e como comer, copiei tudo que a garota do nome que não me arriscava a pronunciar pedia. Estava jogando seguro.

Quando ela percebeu (ou pelo menos deixou claro a existência) a revista de videogames que eu segurava o tempo inteiro, me contou que seu jogo favorito era Chrono Trigger – fato que talvez ela se arrependa até hoje, já que a surpreendente informação desencadeou uma sequência inacabável de papos sobre games.

Foi quando cometi o erro fatal daquele encontro: mão esquerda, bolso da perna da calça. Puxei o Nintendo DS.

Se somente o fato de abrir o videogame durante um primeiro encontro não fosse estranho o suficiente, que tal se o papel de parede da tela fosse a foto da ex-namorada?

Após a despedida, inicie meu caminho de volta até o ponto de ônibus. Aquele dia algo diferente aconteceu. Passei todo o trajeto de volta com minha revista de videogame na sacola e o console portátil no bolso. Intocados. Minha cabeça só conseguia rebobinar todos os momentos que eu acabara de viver, com um sorriso enorme no rosto.

Não tinha sido um passeio comum. Esse foi o dia em que mostrei a Nintendo World e minha paixão por videogames para a pessoa que viria a se tornar a mais importante da minha vida – e que pra minha sorte deu mais algumas chances pro garoto esquisito que chegava horas antes dos horários marcados.

Ainda bem que sempre tinha um videogame no bolso.

Ainda bem que, desde então, sempre tenho você no coração, Aretha.

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O sonho que nunca alcancei

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Sempre tive facilidade para falar em público. Na escola era orador das turmas, apresentava os trabalhos e, claro, recebia inúmeras reclamações dos professores por falar demais. Me achava extrovertido – ou pelo menos aceitava a etiqueta que me davam.

Por muito tempo me dediquei ao ofício de aparecer na frente das câmeras. Em determinado momento, acreditei esse seria meu futuro profissional. No sonho mais distante, queria levar os jogos para a MTV. Por que não? Era a maior referência jovem em uma era onde a internet ainda engatinhava.

Como contei nesse outro texto, sempre tive dificuldade em admitir minhas fraquezas. E essa não é exatamente uma história de sucesso, mas sim como aprendi com um fracasso pessoal.

Enquanto estava convencido que aparecer na frente da câmera era minha principal virtude, ignorei tudo que acontecia em volta

Após cobrir a EGS 2005 pelo Santa Games, iniciei minha jornada com o microfone em mãos. As primeiras oportunidades, no entanto, não eram exatamente as que imaginava. Toda semana ia até uma loja gravar propaganda dos novos jogos e videogames, ao bom estilo shoptime. Repeti muito o discurso consoles destravados para rodar seus backups.

Fazer merchandising era distante do sonho de ser VJ, mas me ajudaram a criar mais intimidade com uma produção audiovisual. Até que veio o grande projeto que seria meu passaporte para o desejado objetivo. Ou assim acreditava.

Em novembro de 2006, junto com outros colaboradores do site Wii Brasil, criei o WiiTV – o primeiro programa de games no Brasil produzido do zero para a internet.

Sem falsa modéstia, o WiiTV era um projeto muito a frente do seu tempo. Um programa semanal produzido por uma equipe de entusiastas em um processo que emulava uma produção profissional.

Esse vídeo abaixo, publicado no episódio 4 da segunda temporada, mostra os bastidores da produção. É uma mistura de nostalgia e vergonha alheia, mas exemplifica exatamente como era produzir vídeos há 10 anos sem ter nenhum conhecimento ou equipamento apropriados.

Numa conversa recente com o Ivan “Soul Zonik” Nikolai, um dos responsáveis pelo Wii Brasil e também do WiiTV, ele me contou como enxergava o projeto. “Tinha orgulho do WiiTV pois era um campo praticamente inexplorado na internet. Atualmente você encontra milhares de YouTubers com proposta similar, mas há quase uma década isso era inexistente”.

O WiiTV teve 24 episódios publicados e alcançou uma audiência muito relevante. Mas, principalmente, foi meu cartão de visitas.

Na época, não tive dúvidas que alcançaria o sonho.

Incluía produção de vídeos em todo projeto que eu participava. Foi assim que consegui o emprego na Saga, escola de computação gráfica, após indicação do amigo Ricardo Farah. Foi na frente da câmera que convenci a Ubisoft Brasil a investir em produção de vídeos; hoje uma das principais iniciativas de sucesso da empresa no Brasil.

Mas alguma coisa não estava dando certo.

Por mais que eu achasse que apresentar era meu diferencial, minha carreira insistia em me afastar das câmeras.

O mais perto que passei da MTV foi em 2012, quando troquei e-mails com Ricardo Anderáos, na época Diretor de Mídias Digitais da emissora. O contato veio por meio da minha participação no Curso Abril de Jornalismo, no ano anterior. Na época, Anderáos demonstrou bastante interesse em projetos de games para o portal da MTV. Como costumava fazer, mostrei segurança e tentei convencê-lo que seria uma boa ideia investir em games. Tinha o projeto pronto, redigido em um documento no Word salvo como “games na mtv.doc“. Ofereci até mesmo vender cotas de patrocínio. Não tinha como dar errado. Mas deu.

Nunca tive uma epifania que deixasse claro o fracasso do meu plano original. Foi um desmame doloroso, que passou por algumas recaídas. Falhei em levar o projeto de games para a MTV – vendida tempos depois.

Enquanto estava convencido que aparecer na frente da câmera era minha principal virtude, ignorei tudo que acontecia em volta.

O WiiTV me ensinou a gerenciar projetos, lidar com equipe e a criar conteúdo para uma comunidade. As inúmeras entrevistas que gravei enquanto apresentei os programas na TV Saga me deram confiança no discurso, pensamento rápido e melhor desenvolvimento na linha de raciocínio. Convencer a Ubisoft a investir em vídeos, nada mais era, que uma evolução da minha capacidade de vender uma ideia.

Quando percebi, figurava do outro lado da câmera – algo que nunca planejei. Estava tão míope que, mesmo quando abri uma produtora de vídeos dentro da minha empresa, não enxergava que o sonho mudara.

Hoje, enxergo o que aprendi enquanto perseguia a antiga ambição. Reconheço como algumas decepções foram importante para que eu me motivasse a ter novos objetivos. Quero, por meio da Gomídiadar oportunidade para que outras pessoas possam ir atrás dos seus sonhos – e aprender com os inevitáveis fracassos no caminho até que esses sonhos mudem para algo melhor. Sempre melhor.

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GoLuckast: a desculpa para ver os amigos. E comer esfihas.

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Um celular plugado em um fone de ouvido minuciosamente pendurado no bocal da lâmpada. Em volta do microfone, como escoteiros em torno da fogueira, quatro amigos se reuniam semanalmente para conversar sobre videogames. E comer esfihas.

O primeiro GoLuckast, podcast do GoLuck, estreou no dia 25 de novembro de 2007 – mesmo mês em que eu havia começado a colaborar para a revista EGM Brasil. Com quase um ano de blog, achei que ter um podcast seria a oportunidade perfeita para continuar avançando nos meus planos de ser cada vez mais relevante no mercado editorial games.

No fim, o legado desse podcast foi muito maior do que eu jamais poderia imaginar.

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Antes, nos reuníamos para jogar Magic The Gathering ou Dugeons & Dragons. Mas foi com o blog – e principalmente com o podcast – que eu me aproximei deles. Foram noites durante a semana em que tínhamos a desculpa perfeita para nos encontrar.

O blog e nossa amizade cresceram muito em torno desses encontros. Wagner Araújo, Camilo Bogado, Eduardo Argañaraz e eu gravamos um total de 64 episódios do podcast. Houveram ocasiões especiais, geralmente no meu aniversário, onde outros amigos participavam das gravações, como Claudio Prandoni, Fernando Muccioli e o Marcos Diniz.

Hoje, quase todos eles trabalham ou já trabalharam comigo na Gomídia. Esse blog foi responsável direto não somente pelas maiores amizades que construí, mas também pela nossa preparação profissional.

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O fim do podcast, por volta de 2009, aconteceu pela necessidade de cada um em seguir seu caminho. Nos mudamos e, consequentemente, não conseguimos mais nos encontrar para gravar.

Mas a amizade que o videogame constrói a distância não destrói.

Continuamos nos encontrando para conversar, jogar videogame, RPG, boardgame e até mesmo, para agradar o Wagner, campeonatos de Magic.

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Para celebrar essas duas semanas de atividade no blog, achei prudente gravar mais um episódio. Fizemos questão que o GoLuckast #65 tivesse a mesma alma dos originais. Por isso convidei Wagner, Camilo e Dudu para o estúdio original do podcast; a casa da minha mãe. Tínhamos esfihas e estávamos reunidos em volta do celular (infelizmente sem o fio pendurado no teto, dessa vez) para falar sobre os jogos que jogamos, mas não tivemos a oportunidade de falar durante esses últimos 8 anos.

Não queria que o novo episódio parecesse uma reformulação do que fazíamos. A ideia é que ele tenha a qualidade de som limitada, dinâmica e, principalmente, objetivo de todos os demais GoLuckasts: ser a desculpa ideal para nos reunirmos.

Com vocês, o GoLuckast #65.

O que nos uniu

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Eu odeio jogo!” Quem conhece minha mãe sabe como ela gosta de deixar isso claro. E a lista dela não tem restrições, vale tudo; baralho, par ou impar e, claro, videogames.

Nunca descobri o real motivo para a implicância – que as vezes suspeito que seja somente isso, uma implicância, ainda mais conhecendo minha genética. Quem me conhece também sabe o quanto eu sou implicante quando coloco alguma coisa na cabeça.

E algo que eu sempre tive na cabeça é minha paixão por videogames. Meu primeiro contato com eles foi quando o irmão mais novo da minha mãe, meu tio Ricardo, tinha um Atari 2600 – o qual ele passava mais tempo tentando conectar na TV do que jogando. Mas quando o cabo funcionava, eu podia ver e jogar River Raid, Enduro e Keystone Kapers – meu favorito, o jogo de polícia e ladrão. Meu tio costumava guardar as fitas do Atari em uma gaveta no quarto, a qual tenho lembranças de ser como um baú escondido em um labirinto. Me aventurava pelo guarda-roupa procurando o tesouro, mas nunca encontrara.

Por fazer parte de uma família que sempre se uniu em qualquer ocasião, frequentava muito a casa de tias e tios. Tinha uma, no entanto, que era minha favorita. Quando entrava ano Chevette da minha avó e escutava “estamos indo na casa da tia Angelina”, eu arregalava os olhos. Sabia que o passeio seria bom.

A Tia Angelina é irmã mais nova da minha avó e tem dois filhos na mesma idade que meu tio Ricardo. Na época, por serem crianças mais velhas, eles tinham acesso aos brinquedos que eu nunca tinha visto. E na casa da Tia Angelina, em um dos quartos, ficava guardado o motivo da minha ansiedade para a visita: o Mega Drive.

Acompanhava, hipnotizado, o personagem azul correndo pela tela. Na sala, a família conversava, comia. Eu ficava em pé ao lado da porta do quarto escuro olhando para a TV, na esperança de alguém perceber o que eu queria. E não era difícil. Meus primos sempre me deixaram jogar o Mega Drive, por isso sabia que lá era um destino certo para minha diversão favorita. Consequentemente, chorava toda vez que minha mãe dizia que o aniversário que estávamos indo não era na casa da Tia Angelina. Por que todos não podiam ser lá?!

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O meu primeiro videogame foi um Nintendinho, que ganhei da escola. Ou pelo menos foi isso que acreditei na época. Hoje, adulto, descobri que não há mágica. Os pais compravam os presentes que eram entregues no Natal. Por anos creditei meu primeiro videogame a um homem de barba branca, mas na verdade tinha sido presente da pessoa que não suportava jogos.

Minha mãe sempre tentou controlar meu tempo em frente ao videogame, por motivos óbvios. Eu poderia passar o dia inteiro ali. Para garantir minhas horas de jogo, no entanto, eu precisava de uma combinação de fatores importantes; notas acima de 8 em todas as disciplinas na escola e tirar o pó dos móveis nas faxinas de Sábado. Não tenho a menor dúvida que minha principal motivação para ter boas notas era o medo de perder o acesso ao videogame.

Mas eu nunca fui uma criança muito fácil. E aprendi a duras penas o quão difícil era ficar sem meu passatempo favorito. Certa vez, após algum episódio de desobediência do qual não me lembro –– mas possivelmente ligado com minha já presente implicância – minha mãe decretou: um mês sem videogame.

Dizem que carregamos poucas lembranças contínuas da infância, mas essa é a memória mais concreta que tenho.

O videogame, na época, era dividido com meu tio Ricardo, que morava na casa da frente com minha avó. Então minha mãe tinha uma crise para gerenciar: meu tio não estava de castigo e, logo, tinha acesso livre ao videogame. Quando ele vinha em casa para jogar, eu precisava sair. Era desesperadora a sensação de saber que o videogame estava ligado, a metros de mim, mas não podia jogar.

Coração mole que é, minha mãe abriu uma concessão no castigo e me deixava assistir – mas apenas da janela da sala, do lado de fora. E lá ficava eu, agarrado na grade, de olhar fixo no videogame.

Aprendi algo muito importante com esse castigo e, para desespero da minha mãe, não foi se comportar melhor. Daquele dia em diante eu não falava mais que videogame era minha atividade favorita. Dizia como gostava de andar de bicicleta, brincar com bonecos, ou qualquer outro passatempo. Quando, inevitavelmente, me comportava mal, o alvo do castigo não era mais o videogame.

Gênio.

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Eu precisava ser engenhoso para proteger meu privilégio de jogar o Super Nintendo, afinal de contas não foi fácil conquistá-lo. Minha família materna é toda Portuguesa, como você pode suspeitar pelo meu sobrenome. Com seis anos viajei com minha mãe para Portugal. Como toda responsável por um pequeno furacão, ela tentou encontrar uma forma de me manter sob controle. E propôs um acordo.

Toda vez que eu me comportasse bem, ganharia pontos. Quando fizesse algo que a contrariasse, perderia pontos. No final da viagem, dependendo da quantidade de pontos que eu tivesse, poderia escolher entre alguns prêmios – sendo o maior deles o desejado Super Nintendo.

Ironicamente, a pessoa que mais tinha aversão a jogos no mundo acabara de gamificar a viagem.

Como meu comportamento nunca foi exemplar, as chances de não garantir os pontos suficientes eram altíssimas. No meio da viagem já estava me conformando com uma recompensa mais baixa, festa com palhaços. Até uma intervenção divina.

Em um dos diversos passeios diários, nos levaram até uma igreja. Ao chegar, observei um senhor que retirou o chapéu antes de entrar. Eu estava de boné, copiei o gesto. No mesmo momento minha mãe viu o ato e, com um sorriso enorme, me recompensou com pontos positivos.

Naquele momento eu tive a certeza que o Super Nintendo já estava garantido; você imagina quantas igrejas nós visitamos até o final da viagem?! Não esqueci de usar boné um dia sequer.

Ironicamente, a pessoa que mais tinha aversão a jogos no mundo acabara de gamificar a viagem.

Por ser filho único e de uma geração intermediária na minha família, encontrei no videogame um parceiro para todas as tardes que passava sozinho. Minha mãe sempre trabalhou fora, nunca foi fácil ser mãe solo. O videogame, então, foi meu companheiro por muitos anos, mesmo com o desgosto dela.

Sempre soube que minha mãe não gostava que eu dedicasse meu tempo somente para os jogos. O que eu não sabia, na época, é o quanto ela reconhecia a importância que os videogames tinham pra mim.

Mesmo deixando clara sua aversão, minha mãe nunca foi contra nenhuma decisão que tomei envolvendo minha identificação com os jogos. Nem quando troquei um estágio em uma multinacional por uma aventura em São Paulo para escrever em revistas de joguinhos. Nem quando pedi demissão de um emprego cheio de estabilidade para abrir meu próprio negócio – sem mesmo conseguir garantir que poderia me ajudar caso desse errado.

Ela me levava na casa da Tia Angelina porque sabia que eu lá eu poderia jogar o videogame que ela ainda não podia comprar.

No Natal da escola, ela escolheu dar um videogame e não um autorama, opção que também tinha sido oferecida aos pais.

Ela me dava pontos extras na viagem porque queria me dar um Super Nintendo.

Ela tirava minha bicicleta nos castigos porque sabia que me deixava triste ficar sem o videogame.

Como em um plot twist digno de Game of Thrones, descobri que a paixão que sempre tive por videogames foi secretamente apoiada por ela.

Quanto amor é preciso para vencer sua implicância? Um amor como o da minha mãe.

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A janela

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Meus pais se separaram quando eu tinha 7 anos. Todo filho de pais divorciados sabe o que isso significa: ter duas casas.

Por muito anos vivi em dois universos completamente diferentes. Durante a semana morava com minha mãe em um bairro de classe média, e aos finais de semana visitava meu pai em o que, hoje, nós educadamente chamamos de comunidade.

Essa não é uma das histórias de cresci na favela, aprendi nas ruas. Até porque o ambiente sempre me trouxe estranhamento. Tudo era diferente do que eu estava acostumado; as pessoas, as interações, as rotinas, as preocupações, as prioridades. Uma coisa, no entanto, era a intersecção que conectava aquele mundo: videogames.

Meu pai me deu um PlayStation quando eu não tinha por volta de 10 anos. Em respeito ao autor do presente, decidi deixar o videogame na casa dele. Imagine uma criança ansiosa que precisava esperava a semana inteira para jogar. O Super Nintendo da casa da minha mãe não conseguia reproduzir os gráficos incríveis que eu via nas revistas de videogames que comprava com a mesada de R$10.

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Era quase um ritual; acordava 7 da manhã, ia para o ponto de ônibus e em 20 minutos estava ao pé do morro. Subia a ladeira de cimento na maior velocidade que minhas pernas aguentavam. Um garoto branco, de tênis, subindo o morro todo sábado de manhã nunca passou desapercebido. Ainda mais quando carregava um porta CD repleto de aquisições frescas do camelódromo do centro da cidade.

Meu pai morava com minha falecida vó paterna, em uma casa de alvenaria com piso vermelhão, uma tendência em um lugar onde azulejo era objeto de ostentação. Como meu pai sempre trabalhou de turnos – muitas vezes noturnos – quando eu chegava ele estava dormindo ou se preparando para sair. Batia na janela de madeira na lateral da casa. Três toques e esperava. O silêncio era quebrado pela movimentação dele até a porta. Abria-se o portal para o momento mais esperado da semana. Mas não antes de outro ritual.

Certa vez, talvez até pelo cansaço da jornada noturna, meu pai reclamou quando liguei o videogame minutos depois que tinha chegado. O PlayStation ficava no quarto dele – um puxadinho da antiga sala da minha vó. “Você vem aqui pra me ver ou só pra jogar?”, ele disse irritado antes de voltar a dormir.

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Hoje, pai, entendo a reclamação. Por isso um dia talvez compreenda se o Benjamin (meu filho) faça como eu e fique 30 minutos sentado em silêncio enquanto durmo esperando o tempo adequado para ligar o videogame.

Era o que eu fazia. Toda vez. Eram momentos de silêncio, olhando para o videogame, lembrando de todos os jogos que tinha visto nas revistas, abrindo silenciosamente o porta CD e imaginando quais jogaria primeiro.

Essa rotina só mudou quando, em uma das escaladas matinais de sábado, alguns garotos me abordaram. Era um grupo de quatro, alguns descalços, outros de chinelo de dedo. Camisas de vereador em cima do ombro. Não lembrava daqueles rostos, apesar de não serem tão desconhecidos.

– Ei, isso aí é fita (sic) de videogame? Você gosta de jogar é?
No momento, não tive nenhuma dúvida do que estava acontecendo. Abri o maior sorriso que conseguia dar e respondi:
– Eu adoro jogar!

Acabara de fazer algumas das amizades mais marcantes da minha infância.

Todas as crianças sabiam; quando a janela estava aberta, o videogame estava ligado.

O primeiro mito que se quebra ao conhecer bairros mais carentes é que as pessoas que vivem lá não têm lazer. Na verdade, eles vivem do lazer. Churrascos, festas, conversas na cadeira de plástico na porta de casa, futebol, tudo era motivo para celebrações. Entre as crianças o videogame era unânime. Nem todos podiam ter, é verdade, mas todos conheciam alguém que tinha. E foi assim que eu conheci o Thiago.

O Thiago morava umas cinco casas do meu pai. Assim como eu, andava sempre com seu porta CD embaixo do braço – jogos de um videogame que ele sequer tinha. Na ansiedade de ganhar o desejado presente de aniversário, ele já colecionava os jogos que também conhecia pelas revistas e indicações dos vendedores do camelô.

A identificação foi imediata.

Fiquei amigo do Thiago de tanto me irritar com o fato dele não querer emprestar nenhum jogo. “Eu quero ser o primeiro a jogar”, ele sempre dizia. Mesmo sem admitir, eu teria feito o mesmo.

Quando Thiago finalmente ganhou seu PlayStation, nos aproximamos ainda mais. A janela do quarto dele dava direto para a rua. Todas as crianças sabiam; quando a janela estava aberta, o videogame estava ligado.

Era um acontecimento; diversas crianças apoiadas do lado de fora da janela do Thiago. Eles se espremiam, revezavam o pequeno espaço para ver a mágica vindo da TV de tubo. Eu levava meu controle e garantia meu acesso VIP, sentado na cama debaixo do beliche do quarto com pouco mais de cinco metros quadrados.

O videogame foi meu passaporte para um mundo que eu não fazia parte

A plateia não só assistia, mas participava. No tradicional “quem perde passa o controle”, o curto fio do antecessor do DualShock se esticava até a janela. Não consigo calcular quantas horas passei ali, mas lembro bem dos olhares e sorrisos que o videogame proporcionou.

O momento mais marcante foi a missão para conseguir Metal Gear Solid, jogo que era um mito entre as crianças. Thiago disse que um conhecido já estava no segundo CD e poderia emprestar o primeiro.

– Ele mora longe? – perguntei ansioso.
– Logo ali – Thiago respondeu, já sabendo que eu não toparia a aventura se ele contasse a verdade. Afinal de contas, eu era o moleque branco de tênis que não morava ali.

Caminhamos por mais de 30 minutos. A alvenaria aos poucos foi dando lugar a madeira. As ruas viraram guetos, o asfalto se tornou terra e os sorrisos já não eram tão convidativos.

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A jornada para o empréstimo de Metal Gear Solid foi, para mim, tão marcante quanto o próprio jogo, que devoramos de uma forma sem igual. A plateia da janela opinava e vibrava a cada nova descoberta e avanço. Imagine o desafio de descobrir que era preciso ligar para Maryl sem internet nem a caixa oficial do jogo?

Convivi com os mesmos garotos do bairro por muitos anos, mesmo após meu PlayStation ter se mudado para a casa da minha mãe. O videogame foi meu passaporte para um mundo que eu não fazia parte, mesmo estando ali todos os finais de semana.

Não existiam diferenças quando estávamos, juntos, compartilhando o controle na janela do quarto do Thiago.

O e-mail e o texto que garantiram meu primeiro emprego

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Durante uma palestra sobre formação profissional que fiz no colégio onde me formei no Ensino Médio, um dos alunos presentes fez a famosa pergunta: “qual dica pra quem quer começar?” Minha resposta foi o “acredite no que você quer fazer, e corra atrás”.

Clichê, eu sei. Quando falo em voz alta, até soa um pouco ridículo. Mas aí revirando e-mails antigos para pesquisa de um texto que quero escrever pro blog em breve, me deparei com uma imensidão de mensagens que enviei pedindo emprego.

Os alvos eram vários: empresas corporativas, sites, programas de TV, revistas, jornais… Quase todos relacionados a videogames.

Entrei em uma cápsula do tempo que me teletransportou até minha adolescência. Observar o Lucas (ou Luck, como costumava ser chamado na época) reagia e agia me lembrou das motivações, inseguranças e sonhos que tinha na época.

Decidi então, ao decorrer desse breve período ativo do blog, publicar algumas das mensagens que mandei e compartilhar um pouco dos bastidores da minha cabeça. O objetivo é refletir sobre medos, anseios e tentar entender como tudo nos transforma em quem somos hoje.

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EGS 2005: entrevista com Milton Beck, na época, Diretor de Negócios da Microsoft

Vou começar o e-mail que acabou resultando no meu primeiro emprego, no programa de TV Santa Games.

Agosto de 2005, estava zapeando a TV entre as aleatoriedades da programação de Sábado na TV aberta. Após algumas zaps, reconheci imagens de um jogo e, como em um parry perfeito de Street Fighter III, parei no canal assim que identifiquei primeiro frame. Assisti sem piscar.

Segundos após o programa acabar, não tive dúvidas. Corri para o computador e entrei no site do programa. Na seção Contato, redigi o que me veio na cabeça. Não me lembro de ter lido antes de enviar – o que talvez explique algumas atrocidades cometidas contra a ortografia, das quais já me desculpo.

A mensagem que mandei é malcriada, mal escrita e pretensiosa em níveis vergonhosos, mas repleta de verdade. Quase ingênua.

emailLucasSG copy

Algumas considerações:

  • O Santa Games ficou no ar por mais de 10 anos em uma emissora de TV local da região da Baixada Santista, litoral de São Paulo
  • Seria Gamemaníaco o gamer de 2005? Talvez eu já fosse brega. Ou todos nós éramos.
  • “Espero repostas”, porque nada melhor que terminar um e-mail de emprego com uma pequena ameaça, não é mesmo?

Vendo em retrospecto, parece ridículo (e, de fato, até é) eu ter citado que fui moderador de fórum de um site de Magic The Gathering (saudosa Liga Magic). Esse tipo de apoio em experiências em que eu estava envolvido foi um trunfo que usei em quase todas as minhas argumentações seguintes desde então.

E assim você acaba de conhecer algo muito íntimo; sempre levei tudo que fiz a sério. Não como se fossem as coisas mais importantes do mundo, mas como se até mesmo a moderação de um fórum pudesse, de forma ou outra, fazer a diferença. E isso nem sempre é algo bom. Não dar descanso para sua ansiedade é como acelerar o cronômetro regressivo de uma bomba.

A resposta, para minha surpresa, chegou 10 dias depois, quando eu quase já tinha esquecido da investida.

respostaSG copy

Olá Lucas, legal a sua iniciativa..
Claro q existe a possibilidade, afinal toda ajuda é bem-vinda!
Faz assim, mande pra gente uma análise sua, sobre algum game atual!
(mas tem q ser escrita por vc)
O nosso padrão é narrativa, ou seja, o texto que for escrever vai ser narrado! O formato do texto é em segunda e em terceira pessoa ( você, nós ) Começe falando da história do game e depois a análise de gráficos, som, jogabilidade, novidades do game e etc…
Anexe também o seu curriculum, com todos os dados e cursos q já tenha feito e Boa Sorte!
Uma pergunta, conhece sobre dicas de games?
Abraço..

Antes de continuar, uma breve reflexão; quantas mensagens você ignora na sua caixa de entrada? Quantos currículos você não abre? Quantos comentários no seu vídeo de YouTube ficam sem respostas? Quantas menções no seu Twitter não são respondidas porque você não reconhece o @?

Graças a imensa generosidade do Sidnei Starnini – o responsável por essa resposta e diretor do Santa Games por mais de uma década em que o programa ficou no ar – tive uma oportunidade única: ser ouvido e ter uma chance.

Quando li o e-mail, senti algo que hoje aprendi a usar como termômetro da minha intuição. Era uma energia que corria o corpo, uma adrenalina que me fazia pensar em uma velocidade impossível de acompanhar com minha datilografia capenga.

Me atormentou durante muitos anos o fato de não escrever bem como achava que deveria.

O que eu senti quando comecei a escrever o texto é o que sinto até hoje quando acredito em um projeto, participo empolgado de uma reunião ou planejo o próximo passo da Gomídia.

Eu, de alguma forma, sabia que ia dar certo. Porque já tinha dado.

A introdução é bonita, talvez para esconder a simplicidade e fragilidade do que vem pela frente: o texto que eu enviei.

E aqui vai outro aprendizado recente; por muito tempo tive vergonha das minhas fraquezas, defeitos e vulnerabilidades. Me atormentou durante muitos anos o fato de não escrever bem como achava que deveria. Minhas referências, meu vocabulário, minhas técnicas nunca foram suficientes para achar que podia me destacar. Somente anos depois entendi que não era isso que me tornaria especial – e por que diabos alguém precisa ser especial?

Com vocês, minha primeira análise de um jogo na íntegra e – para o desespero de todos os professores de português – sem nenhuma edição.

Análise Batman Begins

O Principe das Trevas aparece no tão esperado game: Batman Begins, que antes mesmo de ser lançado já diziam ser o melhor game da série Batman.

O game traz gráfico detalhadíssimos e um sistema já conhecido por aqueles que já jogaram games no estilo Splinter Cell.

O grande forte do game é você poder realmente utilizar-se da frutividade e da inteligencia nos cenários sombrios do game, podendo optar em fazer um ataque discreto e silencioso ou até mesmo “descer o braço” em todo mundo na fiel Gotham City.

O sistema do game é bem manjado, andar pelas sombras, aplicar golpes frutivamente pelas costas dos inimigos e usar algumas “bugigangas” .

A grande novidade do game é você poder amedrontar os inimigos, isso mesmo, voce pode causar pânico nos inimigos deixando eles paralizados ou faze-los correrem, o que da no game a pitada de obscuridade tambem muito presente no filme.

Batman Begins segue fielmente o filme e mostra cenas do filme durante o game, assim como Star Wars Episode III ,e isso dá uma certa credibilidade pro game, mas como nos ultimos games baseados em filmes, Batman Begins acabou sendo um game muito restrito a ações repetitivas e caminhos únicos.

Apezar dos golpes muito fieis aos do filmes, a ação no meio do game começa a ficar cansativa e os artificios do Principe das Trevas também.

Para quem já jogou games como God of War, esse game deixa a desejar muito na jogabilidade presa e simplificada.

Os extras do game ajudam você a ter animo para tentar passar das fases para liberar entrevistas com a equipe técnica do filme e do game, que são bastante legais para você que manja um pouquinho de inglês.

Se você é fam da série ou gostou do filme, Batman Begins é imperdível, trazendo gráfico e personagens muito bem construidos em ambientes totalmente 3D.

 

O texto não é genial, não tem uma grande sacada ou muito menos bem escrito. Passei anos acreditando que o resultado final era o que realmente importava para a imagem que eu queria passar. No entanto, olho para essa história e percebo que o que me garantiu essa vaga, definitivamente, não foi ter escrito apesar com z ou repetir “game” a cada 5 palavras,

Após mais algumas mensagens trocadas, o Sidnei me chamou para uma entrevista – a qual minha mãe me levou. E, assim, comecei a trabalhar no Santa Games respondendo dicas pedidas pelo site do programa. Eram aproximadamente 30 pedidos por dia, os quais atendia indo até o GameFaqs.com. Em pouco tempo já tinha um banco de dados com mais de 500 dicas traduzidas.

Era a oportunidade que eu precisava. Meses depois, estava indo cobrir o meu primeiro evento como repórter e aparecendo na câmera pela primeira vez – história que contei aqui. Em seguida, virei redator do programa. Jogava enquanto capturava as imagens numa fita cassete, fazia os textos e depois locução. Eram aproximadamente 4 análises por semana para o programa semanal.

Foto sem título
EGS 2005: Eu, Fernanda (apresentadora que fez dupla comigo no evento) e Sidnei Starnini

Se hoje eu tenho o privilégio de trabalhar com o que eu amo, devo muito ao Santa Games e a oportunidade que o Sidnei deu ao meu e-mail.

Não sou especial, não sou genial, não sou diferenciado, não tenho um dom, não surpreendo. Mas no meio de tantas coisas que não sou, me descubro que sou, dia após dia, o que sempre procurei ser. Não sozinho, não sem correr atrás. No fundo, eu sabia que o conselho que dei na palestra, por mais clichê que ainda seja, era como meu e-mail; repleto de verdade.